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Como a taxa de juros afetam as taxas de câmbio entre moedas

| Pedro Santos
Como a taxa de juros afetam as taxas de câmbio entre moedas

Não é nenhum segredo, até para os mais leigos, que a taxa de juros tem uma forte influência em uma série de fatores econômicos e financeiros. E quando nos referimos a taxa cambial, a situação não é muito diferente. Sabemos que a taxa de câmbio é o valor de 1 unidade de uma moeda em termos de outra moeda. Se o valor cambial de uma determinada moeda se torna mais caro, significa de acordo com o modelo vigente que tal moeda está mais valorizada. A taxa de câmbio é determinada pela reunião da oferta e demanda de moeda no mercado de câmbio de moedas estrangeiras, o mercado chamado popularmente de Forex, no entanto existem outros fatores que podem ter o poder de influência sobre a taxa de câmbio, como é o caso da taxa de juros básica.

Mas afinal, como a taxa de juros afetam as taxas de câmbio entre moedas? É o que veremos neste artigo.

Os fatores de oferta e demanda sobre a taxa de câmbio

A demanda e a oferta de uma moeda ocorrem após a troca de uma moeda para uma outra necessária para as trocas internacionais. Note que cada exportação corresponde a uma mudança de moeda estrangeira para uma moeda nacional, a fim de pagar pelos bens do país e, portanto, uma compra de moeda nacional. Na o contrário ocorre em cada importação,onde haverá uma venda de moeda nacional para pagar as importações em moeda estrangeira. Quando um país importa ele perde dinheiro e quando exporta ganha capital. Isso quer dizer que se a balança do comércio exterior estiver ativa, a forte demanda pela moeda elevará seu preço. Por outro lado, a moeda tenderá a perder valor.

É neste contexto que a taxa de câmbio entra, pois a mesma é determinada pela junção da oferta e demanda de moeda no mercado de câmbio. O que estamos querendo dizer é: a balança de pagamentos de um país interfere diretamente no valor cambial da moeda. E quando mencionamos “balança comercial”, estamos considerando os seguintes principais elementos:

  1. Comércio exterior: importação e exportação de mercadorias, incluindo turismo de um país para outro;
  2. Investimentos financeiros: esse volume de câmbio está atrelado, em particular, ao nível da taxa de juros que, se alta, atrai capital em busca de bons retornos.
  3. Obs: Algumas pessoas não sabem, mas até mesmo as operações de especulações de câmbio, isto é, compra e venda de moedas com o único objetivo de obter ganhos com alterações nas taxas de câmbio ao longo do tempo, tem o poder de influenciar o valor cambial.

O governo também pode fazer interferências no valor da taxa de câmbio: de acordo com sua política monetária. De acordo com a situação vigente, as autoridades monetárias (Bancos Centrais e instituições internacionais) podem preferir que a taxa de câmbio siga livremente as forças de oferta e demanda, ou podem preferir que não se afaste de um determinado valor. A saber existem dois tipos de taxa de câmbio, a taxa fixa ou flexível ou flutuante, como veremos a seguir:

Taxa de câmbio fixa

O regime fixo, trata-se de quando dois ou mais países concordam em manter a taxa cambial entre suas moedas em um determinado valor ou, mais frequentemente, dentro de um determinado intervalo. O que ocorre: os bancos centrais dos países interessados ​​no contrato de câmbio devem comprometer-se a intervir no mercado de moedas, utilizando seus estoques de meios de pagamento aceitos em todos os países (reservas oficiais):

eles podem tentar diminuir a taxa de câmbio de uma moeda que está subindo demais vendendo a moeda nacional no mercado de moedas e correspondentemente “comprando” moeda estrangeira, (que é o movimento de depreciação).

O contrário ocorre para sustentar a taxa de câmbio, onde os mesmos compram sua própria moeda no mercado e “vendem” a moeda estrangeira, gerando assim a apreciação. Neste contexto pode entrar a relação “taxa de juros versus taxa de câmbio”, já que conforme é realizado um aumento na taxa de juros, a taxa cambial certamente sofre impacto.

Taxa de câmbio flexível

Este tipo de regime acontece quando um ou mais países decidem permitir que as taxas de câmbio de sua própria moeda com todos os outros sejam determinadas livremente pelo mercado de moedas. As moedas flutuam apreciando ou depreciando com base na tendência de oferta e demanda, ou seja, o mercado fica livre para determinar o que vai acontecer com o valor da moeda, sem que existam interferências dos Bancos Centrais ou de outras entidades governamentais.

Ainda sim, devemos mencionar que os bancos centrais podem, no entanto, a seu critério, tentar influenciar a taxa de câmbio, usando suas reservas oficiais na compra e venda de moeda de contra-tendência, sempre que forças espontâneas do mercado tendem a afastar a taxa de câmbio do valor desejado. No entanto, neste caso, são intervenções discricionárias e não obrigatórias.

Como um aumento ou queda nas taxas de juros afeta o valor de uma moeda?

Aumentar as taxas significa atrair capital e sustentar a taxa de câmbio; por outro lado, para depreciar a moeda, as taxas de juros são normalmente reduzidas. O regime de taxa de câmbio fixa favorece ao comércio internacional graças à estabilidade da taxa de câmbio, mas, no caso de pressões cambiais devidas a um desequilíbrio na balança de pagamentos, em um regime de taxa de câmbio fixa o valor da moeda não pode ser reduzido, mas é necessário adotar políticas restritivas para diminuir a demanda e as importações, aumentar as taxas de juros. Portanto quando falamos sobre taxa de juros e a taxa de câmbio, podemos dizer que uma das formas de equilibrar a segunda é por meio do aumento da primeira.

Note que a taxa de juros é uma forte ferramenta muito utilizada pela política monetária, já que a mesma tem o poder tanto de estabilizar ou até mesmo gerar uma crise financeira. O fato é que as autoridades sempre podem decidir desvalorizar ou reavaliar a moeda, ajustando a taxa de câmbio por intermédio do estabelecimento de uma taxa de juros mais elevada.