O Brasil está em uma situação realmente complicada em diversos setores. O consumo privado, o componente mais relevante do lado da demanda, impulsionou o crescimento do crédito para as famílias e, em parte, a ligeira melhora no mercado de trabalho nos anos anteriores. O alto grau de capacidade não utilizada continuou a limitar as pressões inflacionárias (3,3% da inflação ao consumidor em março de 2020, em linha com a meta de 4 ± 1,5%), deixando espaço para o banco central reduzir taxas de referência a partir do segundo semestre de 2019 (350 pontos base para a baixa histórica de 3,00% em maio de 2020). Não podemos deixar de mencionar que o real brasileiro, desde o início de 2020 até hoje mostrou o maior enfraquecimento em relação ao dólar entre as moedas emergentes flutuantes.
O valor da moeda Brasileira em 2020
A tendência moderada de crescimento continuava nos primeiros meses do ano, antes que os primeiros efeitos do Covid-19 começassem a surgir na economia brasileira. Nos dois primeiros meses do ano, o índice de atividade coincidente do banco central (uma proxy do PIB disponível mensalmente) mostrou um aumento de 0,8% em comparação com os dois primeiros meses de 2019. A moeda nacional depois de uma fase de enfraquecimento que continuou essencialmente desde o início do ano, apresentou uma inversão de tendência começou em meados de maio.
Note que nas últimas duas semanas, o real recuperou 10% de seu valor em relação ao dólar: a taxa de câmbio voltou a 5,3 por dólar, depois de exceder 5,9 reais por dólar. Em seguida, procedemos à análise dos elementos subjacentes aos seus últimos desenvolvimentos. A alta volatilidade apresentada pelo Real Brasileiro nos últimos meses tem sido uma atração aparte para investidores que gostam de correr riscos, e ao mesmo tempo, espantou aqueles que preferem moedas que possam garantir mais segurança para o capital investido.
Conseguiremos recuperar a econômica do Brasil em 2021?
A pandemia do novo coronavírus mudou por completo a situação econômica, tanto pelos efeitos indiretos no país ligados à tendência da economia global quanto aos mercados de commodities e pelos efeitos das medidas de ‘distanciamento social’ impostas pela propagação do vírus em muitos estados. da federação a partir da segunda quinzena de março. Antes que a atenção das autoridades de política econômica se voltasse para as medidas para conter os efeitos do Covid-19, outras duas reformas importantes com impactos tributários significativos também estavam sendo desenvolvidas: a fiscal e a administrativa. Ainda é cedo para avaliar completamente o impacto econômico do Covid-19 na economia brasileira.
A combinação de política econômica antes da crise do coronavírus foi, portanto, caracterizada por uma orientação restritiva da política fiscal e por uma política monetária expansiva. O fato é, a crise ligada à disseminação do coronavírus interrompeu a fase de melhoria das perspectivas fiscais do Brasil. Entre março e abril, o governo brasileiro anunciou uma série de medidas fiscais amplas no valor total de cerca de 10 pontos percentuais do PIB, dos quais apenas um terço terá impacto no orçamento de 2020. Alguns exercícios de previsão mostram que o impacto no crescimento será de proporções consideráveis. A mediana das previsões de crescimento para analistas privados pesquisados pelo banco central é de -3,8% para o ano em curso, com as pessoas mais pessimistas que já trabalham com cenários básicos nos quais o produto diminuiria 7%.
Diante da perspectiva de agravamento das finanças públicas e da significativa desaceleração da economia, a agência S&P revisou a perspectiva de dívida de longo prazo de positiva para estável, enquanto a Fitch a levou a negativa ao confirmar o rating BB. A estimativa do FMI é de -5,3% para 2020. A recuperação em 2021 não permitirá uma recuperação completa do que foi perdido na pandemia, fixando-se em + 3,2% para analistas privados e 2,9% para o FMI.