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O aumento da Dívida Global em 2020

| Marcia Oliveira
revisão HotForex

Boa parte de nós tem ciência de que dívida global aumentará significativamente em 2020, superando os máximos atuais. Para termos uma idéia, no final de 2019, a soma da dívida pública e privada era igual a 255% do PIB global. Os especialistas estão estudando para prever o quanto as dívidas aumentaram, no entanto, devido ao contexto atual, fica de fato difícil prever o que pode acontecer, já que tudo está tão incerto e instável. Até o momento, muito poucos estudos arriscaram uma estimativa dos estoques de dívida para este ano, principalmente em relação ao PIB. E não é nenhuma surpresa; por exemplo, até poucas semanas atrás, não estava claro para nenhum analista qual poderia ter sido a extensão máxima do dano infligido pela pandemia às economias desenvolvidas. O fato é, a dívida global já bate records.

Enquanto alguns pedem a “desglobalização e dissociação EUA-China”, uma explosão da dívida mundial está se aproximando. E com isso uma nova crise financeira dramática.

O que já sabemos sobre a dívida Global atual

Nos primeiros nove meses de 2019, governos, empresas e famílias acumularam novas dívidas à taxa de um trilhão de dólares por mês. Os números já não era positivos naquele momento. O resultado, alertou o Instituto de Finanças Internacionais (IIF) em seu mais recente Monitor Global da Dívida, é que a dívida global no final de setembro de 2019 alcançou 253 mil bilhões de dólares, 9 mil a mais que em dezembro de 2018. No entanto muito mias anda estaria por vir. Como um recorde, eles não durarão muito: já nos três primeiros meses deste ano, segundo estimativas do IIF, a dívida mundial chegará a 257 mil bilhões. Passando para 2020, o presente ano, para sermos mais específicos, até poucas semanas atrás, não estava claro para nenhum analista qual poderia ter sido a extensão máxima do dano infligido pela pandemia às economias desenvolvidas.

Com uma estimativa aproximada, o IIF prevê que a dívida global este ano possa subir de 322 para 342% do PIB. No início de junho de 2020, grande parte da economia mundial está retornando on-line e a hipótese encorajadora de que o nadir da atividade produtiva ocorreu em abril foi descrita nos dados.  A relação entre dívida pública e PIB mundial, confirma o UBS em uma análise do final de abril, aumentará 20 pontos percentuais até o final de 2022, ultrapassando 100% pela primeira vez na história.

Grande parte dessa nova dívida virá de economias avançadas. Começando pelos Estados Unidos, que está se preparando para fechar o ano com um déficit de quase 4 trilhões de dólares, seguido pelo Japão, que fará um déficit de cerca de um trilhão de dólares. Os dados podem parecer encorajadores em todos os lugares e sugerir um início de recuperação um pouco melhor do que as previsões sombrias de algumas semanas atrás.

Para as economias mais desenvolvidas trata-se de uma dívida mais “sustentavel, no entanto não é possível dizer o mesmo sobre as economias emergentes e/ou mais pobres

A boa notícia, pelo menos para as economias “avançadas”, é que essa dívida, nas condições atuais, é sustentável.  Provavelmente essas economias recuperam suas forças frente às demais. Em todos os lugares, as intervenções do banco central permitiram manter o custo da dívida baixo: para quase todos os países mais ricos, incluindo a Itália, o custo do pagamento de juros da dívida pública em relação ao PIB é hoje menor do que em 2007, às vésperas da grande crise. E isso apesar do fato de a relação dívida/PIB ter aumentado em muitos casos em pelo menos 40 pontos percentuais. Vale mencionar também que As emissões de dívida global atingiram uma alta histórica de US $ 2.600 bilhões em abril de 2020, quebrando o recorde anterior apenas um mês antes (2.100 bilhões); é um fato que é mais que o dobro da norma histórica dos últimos 20 anos.

Mesmo para muitas economias “emergentes”, a dívida é mais sustentável do que no passado. Aqui, no entanto, existem muitas exceções. As economias emergentes, de acordo com o IIF, entre empresas e governos, têm dívidas em moeda estrangeira no valor total de 5.300 bilhões de dólares, dos quais 730 bilhões vencem este ano. Se esse ritmo permanecer pelos próximos 6 meses, assumindo uma queda de 3% no PIB global, a relação dívida / PIB poderá atingir níveis que variam entre 322% e 342% do PIB global. Existe um alto risco de inadimplência em parte dessas dívidas. As dificuldades mais óbvias são as da Argentina, que não pode concordar com os credores pela reestruturação de 65 bilhões de dólares em dívidas e riscos, tornando a nona falência de sua história. Mas essa é uma estimativa brutal, com um baixo nível de probabilidade.