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Estamos no início do Colapso do comércio Global?

| Marcia Oliveira

Nos últimos meses, os contornos do choque sofrido pela economia mundial se tornam mais claros devido à propagação pandêmica do coronavírus e aos bloqueios das principais economias. Valores comerciais globais caíram 3% no primeiro trimestre de 2020. Alguns dias atrás, a organização mundial do comércio (OMC – Organização Mundial do Comércio) divulgou dados atualizados sobre a tendência do comércio global. Para o segundo trimestre, espera-se uma queda de 27% em relação ao período anterior. A atualização atual (trimestral) leva em conta apenas o primeiro impacto que ocorreu até março de 2020; no entanto, mostra um declínio sem precedentes no comércio internacional, com valores tão baixos que fazem com que o próprio indicador da OMC fique fora de escala.

Os efeitos do covid-19 colocam o futuro do comércio global em risco?

Tendências de queda nos preços vem acontecendo com muito mais frequência neste período de pandemia. Os preços das commodities registraram uma queda recorde de 20% em março, impulsionada pela queda nos preços do petróleo
Genebra, 13 de maio de 2020.Ao examinar o índice Wto-I em seus componentes, é possível observar quais foram os principais fatores que explicam a fase negativa após o último ciclo de expansão de 2016-2018 e, acima de tudo, o súbito colapso ocorrido no primeiro trimestre de 2020, o que parece apenas a antecâmara de um declínio muito mais pronunciado.  De acordo com os últimos dados da UNCTAD publicados em um relatório conjunto de 36 organizações internacionais, a pandemia reduziu os valores do comércio global em 3% no primeiro trimestre de 2020.

No entanto, outras fontes também oficiais tem mais dados para nos oferecer. De acordo com o relatório do Comitê para a Coordenação de Atividades Estatísticas (CCSA), o declínio deverá acelerar no segundo trimestre, com uma queda esperada no comércio global de 27% trimestralmente. Uma deterioração adicional em junho seria consistente com as previsões da OMC divulgadas em abril, que prevêem um colapso do comércio internacional entre 13% e 32% somente em 2020, dependendo da duração da pandemia e da eficácia das políticas de combate à crise. “Governos de todo o mundo são levados a tomar decisões de recuperação pós-COVID-19 com consequências a longo prazo”, disse o secretário geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi.

Tendência de queda nos preços dos ativos

“Essas decisões devem se basear nos melhores dados e informações disponíveis. Tenho orgulho de que a UNCTAD tenha desempenhado um papel central ao reunir tantas organizações internacionais para coletar fatos e dados valiosos para apoiar a resposta à pandemia ” completo Kituyi. Vale mencionar que a queda nos preços dos combustíveis foi o principal responsável pela queda acentuada, com queda de 33,2% em março. Por outro lado, os preços de minerais, metais, alimentos e matérias-primas agrícolas caíram menos de 4%. Antes da pandemia interromper o comércio internacional, os volumes e o valor dos bens comercializados globalmente mostravam sinais modestos de recuperação desde o final de 2019.

A queda de 20% nos preços das matérias-primas em março foi um recorde na história do Índice de Preços das Matérias-primas do Mercado Livre da UNCTAD (FMCPI). Por comparação, durante a crise financeira de 2008, a queda máxima de um mês para o outro foi de 18,6%.