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Em vez de interromper a progressão da China, Convid-19 poderia acelerar

| Marcia Oliveira

Os impactos econômicos gerados pelo Covid-19 podem ser considerados um dos maiores da presente década. Enquanto alguns países lutam para  tentar estabilizar suas economias, outros afundam-se em dívidas e nem sequer conseguem prever no presente momento quanto tempo demorarão para recuperaram suas economias. Mas e a China? O país mais populoso do mundo  teve grandes perdas, no entanto, grandes ganhos também. O fato é, a recessão do coronavírus, em vez de interromper a progressão da China, poderia acelerá-la. Os números parecem não mentir.

Os resultados da quarentena Chinesa

A quarentena  em Hubei e outras medidas nacionais de combate ao contágio surpreenderam a economia e as autoridade mundiais. O PIB no primeiro trimestre de 2020 caiu 6,8% anualmente, e todos os dados mensais de fevereiro caíram. Mas o que parecia ser o começo de uma longa queda, transformou-se em justamento o contrário. Com uma velocidade incomum, já no mês seguinte, o cenário ganhou um tom mais otimista, com as previsões de crescimento para 2020 revisadas para cima de 1% para mais de 2%. Por outro lado, nas outras grandes economias, as expectativas apontam para uma queda no PIB entre 5% e 12%. Alguns especialistas afirmam ainda que a pandemia e como o governo Chinês decidiu administrá-la deu a China vantagens da maratona comercial contra os Estados Unidos.

Entrando em detalhes, os índices dos gerentes de compras (PMEs) das empresas industriais e de serviços – os indicadores líderes mais confiáveis ​​- por três meses confirmaram uma recuperação significativa nas atividades e na demanda. Vale destacar que, como A nação Chinesa passou pelas primeiros casos e mortes antes do resto do mundo, aprendeu antes de todos as melhores medidas para conter o vírus e produziu equipamentos essenciais muito antes dos outros países. De fato, a produção industrial em maio aumentou 4,4%, após 3,9% em abril e deve crescer. Uma confirmação semelhante vem dos investimentos: a queda de 24,5% nos dois meses de janeiro a fevereiro foi amplamente absorvida nos meses seguintes, tanto que em maio a queda foi limitada a pouco mais de 6%.

As vendas no varejo também caíram mais de 10% em janeiro, em maio foram apenas 2,8% menores que no ano anterior, apesar do lastro de catering (-18,9%) e outras atividades como educação, cultura e entretenimento, limitadas pelo distanciamento social. Hoje o mundo compete para comprar equipamentos Chineses a altos custos, visto que como a demanda é muito alta para a oferta, a China acaba lucrando valores enormes em função dos produtos voltados para a saúde. O ímpeto de recuperação deriva, em parte, do estímulo ao qual o governo recorre sempre que a economia desacelera: aumento da dívida pública para financiar infraestrutura (+ 10,9% em maio) e construção (hospitais, redes de telecomunicações, usinas) reformas elétricas, urbanas etc.).

Onda de empréstimos destinados a recuperação contra a pandemia do Covid-19 é equivalente a metade do PIB mundial

Ainda que a recuperação da China esteja bem mais acelerada que o comum, nem tudo são flores. Vale lembrar que em relação ao PIB, o número de intervenções de emergência na China até agora tem sido uma fração daquelas lançadas na América, Europa e Japão. Segundo o FMI, as despesas extraordinárias totalizam 4,2 trilhões de yuans (4,1% do PIB), principalmente destinadas a infraestrutura, assistência médica, subsídios de desempregados e migrantes, redução de impostos.  O país está cheio de dívidas e o governo tem agido com bastante cautela, visto que tem como principais metas pagar os empréstimos.A relativa cautela das autoridades chinesas depende do fato de a economia ainda não ter “reabsorvido” os 4 trilhões de yuans de dívida emitida para combater a crise de 2008-09, à qual foi adicionada uma onda de empréstimos bancários, hoje equivalentes a metade do PIB mundial.

Como informa a Forbes as intervenções do Banco Central: 5,1 trilhões de yuans (bruto) de liquidez introduzidos no sistema bancário; 1,8 trilhão de yuans de crédito subsidiado para pequenas e médias empresas (especialmente suprimentos médicos), uma redução de 30 pontos base na taxa de juros, uma redução de 37 pontos base nos juros sobre reservas e várias outras concessões para bancos e empresas, por exemplo, um esquema de 400 bilhões de yuans para empréstimos com juros zero, cobrindo 40% dos novos empréstimos comerciais. o horizonte não está livre de nuvens. Se os surtos de contágio (como o que ocorreu no mercado atacadista de Pequim) se intensificarem, as consequências poderão ser ainda mais desastrosas.