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Economia Brasileira dá pequenos sinais de recuperação

| Marcia Oliveira

Mesmo diante da pandemi, a economia do Brasil tem dado sinais de recuperação. Vale lembrar que nos meses de março e abril o país apresentou um dos momentos econômicos mais desfavoráveis, em meio às medidas de isolamento social impostas pela pandemia do coronavírus e ao fechamento das fronteiras e dos mercados internacionais de diversas matérias-primas. Ainda que a principal companhia de petróleo, a Petrobras venha sofrendo, é possível identificar ma leve recuperação econômica por parte do país. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial cresceu 8,9% em junho em relação a maio. Trata-se do segundo mês em que o setor dá sinais positivos, mas ainda insuficiente para recuperar a perda de 26,6% acumulada no primeiro bimestre de paralisia quarentenária.

O que esperar da economia Brasileira este ano

Muito tem sido especulado acerca do que devemos esperar para este ano, visto que a pandemia continua em curso. Devemos destacar, antes de mais nada, os setores que tem tido um empenho mais positivo, que neste caso são os voltados para a fabricação de veículos e bebidas e as indústrias extrativas. O mercado financeiro espera queda do PIB de 5,6% neste ano, de acordo com o primeiro Boletim Focus, que reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras, compilado pelo Banco Central. O relatório, divulgado na segunda-feira, 10 de agosto, manteve a projeção contida nas edições anteriores de que a economia brasileira crescerá 3,5% em 2021. Para 2020, o governo estima recuo do PIB de 4,7%, enquanto o O FMI espera um colapso ainda maior de 9,1%.

O fato é, o país está longe de poder dizer que encontra-se em uma situação favorável, em todos os âmbitos. Economistas, no entanto, afirmam que ainda é cedo para se falar em recuperação econômica em um cenário de grande incerteza quanto ao desenvolvimento da pandemia, que no Brasil nas últimas 24 horas causou 1.274 mortes e mais de 52.000 novos casos. A evolução mais favorável de alguns índices decorreu, em grande medida, dos programas de ajuda governamental às empresas e do repasse de recursos do programa emergencial de renda mínima, que atingiu quase a metade dos domicílios sul-americanos em junho.  O aumento das vendas no varejo também é relativamente distorcido, segundo economistas, pelo grande declínio nos meses da pandemia.

Muitas compras já planejadas foram adiadas de março a abril para os meses seguintes. Também preocupam setores importantes para a economia brasileira, como transporte e turismo, para os quais a volta à normalidade ainda é difícil de prever.

Como o governo Bolsonaro interpreta os sinais de recuperação

O ministro da Economia, Paulo Guedes, argumenta que esses índices mostram que o Brasil está se recuperando em uma trajetória semelhante à da “vírgula Nike”. O logo da marca esportiva tem a segunda perna mais reclinada, o que sugere recuperação mais lenta do que queda. “Não está subindo de novo tão rápido quanto caiu, mas está aumentando mês a mês”, disse Guedes em audiência pública no Congresso para reforma tributária, no dia 5 de agosto. “A arrecadação do ICMS [imposto sobre circulação de mercadorias e serviços] é 3 ou 4% menor que no primeiro semestre do ano passado. Ou seja, a recuperação vem com uma certa força ”- assegurou.

Já o Banco Itaú, maior instituição financeira privada do Brasil, espera que o PIB cresça 8,5% no terceiro trimestre e 1,9% no seguinte. Para entendermos melhor explica a economista Silvia Matos, pesquisadora na área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, “perde-se a verdadeira dimensão do choque causado pela pandemia na economia, porque vem, de certa forma, mitigado ”por subsídios governamentais. “Não podemos ficar muito animados. Precisamos ver o que vai acontecer no final do ano, quando a ajuda pública acaba ou pelo menos diminui e as receitas diminuem ”, finaliza.