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Auxílio emergencial, corte dos gastos públicos e o aumento da popularidade de Bolsonaro

| Marcia Oliveira
(São Paulo - SP, 11/06/2019) Palavras do Presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR

Muito em sido comentado acerca do aumento da aprovação do governo de Jair Bolsonaro, especialmente por parte das comunidades mais pobres. Afirma-se que com a criação de um novo programa de transferência de renda, Bolsonaro vem ganhando grande popularidade, principalmente nos grupos socialmente mais necessitados, que o viam como o único defensor de suas necessidades econômicas, perante prefeitos e governadores que eles pressionaram por medidas de quarentena mais radicais. No entanto, os gastos estão pressionando as finanças públicas, que já estavam em apuros antes da pandemia. Muitos vêem a ajuda como não somente uma forma de ajudar a população, que vem sendo assombrada terrivelmente pelo velho fantasma do desemprego, no entanto, este também pode ser uma ferramenta para impulsionar a popularidade do atual presidente.

Quais consequências o fim do auxílio emergencial pode gerar

O fim da renda mínima emergencial pode gerar, por exemplo, um aumento no desemprego, que no segundo trimestre foi de 13,3% – 12,8 milhões de pessoas – segundo o IBGE. Crescimento de 1,1% em relação ao trimestre encerrado em março, o que mostra um cenário relativamente estável. No entanto, estes números são afetados pelas muitas pessoas que, recebendo o subsídio de 600 reais (cerca de € 100), não procuram trabalho enquanto esperam a pandemia passar. De fato, se analisarmos o número de empregados no país, nota-se queda recorde no segundo trimestre: -9,6% em relação ao período anterior. Em três meses, quase nove milhões de brasileiros perderam seus empregos e a maioria deles eram trabalhadores informais.

Muitos economistas defendem que existem outras formas de cortar gastos, visto que a população mais carentes, de fato precisa do auxilio neste momento de caos total, gerado pela pandemia. Um deles seria uma nova lei sobre gastos públicos.  Sobre esta, Paulo Guedes, Ministro da economia afirmou: “Se ele fizer, vamos pedir impeachment”. O governo está dividido em dois: de um lado, cada vez mais isolado, o neoliberal ortodoxo Paulo Guedes, defensor da política de rigor orçamentário, do Estado fora da economia. De outro, cada vez mais imanentes, os pragmáticos militares. Bolsonaro: “A privatização e a responsabilidade fiscal são o nosso farol”.

O governo e o dilema do corte dos gastos públicos

Durante meses, os militares e alguns setores políticos pressionaram o presidente Bolsonaro para que mudasse os planos da campanha eleitoral devido à emergência econômica que enfrentaria. Para conter os efeitos da crise gerada pela pandemia Covid-19, seria necessário investir em obras públicas em vez de esperar pelo possível efeito positivo das reformas em um futuro próximo. E por isso o Pro-Brasil é proposto com a previsão de uma injeção de 800 milhões de euros de despesas.

A proposta prevê o congelamento das privatizações que, por questões burocráticas e jurídicas, não garantem as necessárias respostas a curto prazo. Outro adendo: Líquida de uma reforma previdenciária acanhada que deixa intactos os privilégios mais caros, a reforma da administração pública foi fechada na gaveta e a reforma tributária, depois de passar pelo parlamento, corre o risco de aumentar a tributação em vez de reduzi-la. Enquanto opiniões de dentro do próprio governo divergem, devemos aguardar as “cenas dos próximos capítulos”.